Queridos irmãos e irmãs,
Saúdo com carinho o nosso querido Santo Padre Sisto I, todo o clero, os religiosos e religiosas, os leigos e leigas desta amada Arquidiocese de Aparecida. Minha saudação se estende também às queridas regiões de Aparecida, Lorena e Guaratinguetá. Acolho com gratidão os irmãos cardeais, bispos, os convidados e amigos que hoje partilham conosco a alegria desta nova missão que a Igreja me confia. Trago comigo saudades daqueles que caminharam ao meu lado até aqui e um coração aberto para servir o povo fiel que hoje me recebe.
O Evangelho de hoje, segundo São Marcos (8,22-26), nos apresenta a cura do cego de Betsaida. Esse milagre tem algo peculiar: Jesus não o cura de imediato, mas o conduz em um processo gradual de restauração da visão. Primeiro, o homem vê de maneira turva, como se as pessoas fossem árvores andando; depois, com um novo toque do Senhor, ele passa a enxergar com clareza.
Essa passagem nos faz refletir sobre os tempos em que nossa visão espiritual se obscurece. Existem momentos em que parecemos estar na escuridão, como se fôssemos guiados por um corvo, símbolo das tempestades e das incertezas da vida. Esse corvo representa os desafios, as provações, os momentos de dor e cegueira em que não conseguimos ver um caminho à frente.
Mas Cristo, com seu toque amoroso, nos conduz para além das trevas. Assim como na história de Noé, após o tempo sombrio do dilúvio, não foi o corvo que trouxe a boa notícia, mas a pomba que voltou com o ramo de oliveira, sinal de que um novo horizonte de esperança se abria. Da mesma forma, no Evangelho de hoje, Jesus é essa pomba, que nos convida a enxergar além da tempestade, a olhar com os olhos da fé e ver um futuro de renovação.
Como Igreja, também vivemos esse processo. As dificuldades podem nos fazer sentir que nossa visão está nublada, mas o Senhor nos toca e nos faz perceber que há esperança. Prova disso são as obras que temos realizado: a construção das catedrais de Guaratinguetá e Lorena, a preservação da Basílica Velha e as melhorias no nosso Santuário Nacional em Aparecida. São sinais concretos de que seguimos rumo a um horizonte de fé e renovação.
E, com esperança, abençoamos o terreno onde será construído nosso Seminário Arquidiocesano, um projeto já aprovado e em fase inicial. Esse será um lugar onde jovens vocacionados poderão crescer na fé e responder ao chamado de Deus, tornando-se instrumentos da esperança em meio a um mundo que tantas vezes ainda caminha sob as sombras do corvo da desesperança.
Peço que rezem por mim, para que eu seja fiel a este chamado, conduzindo esta Igreja com amor, coragem e humildade. Que Maria, nossa Rainha e Padroeira, nos guie com a suavidade do Espírito Santo, para que possamos ver com clareza o caminho do Reino de Deus.
